Páginas

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Olá!

Bem vindo a este site.
     O que você vai encontrar aqui são os relatos produzidos durante a Oficina de Produção de Textos Autobiográficos Tapeçaria da Memória, que aconteceu na Palavraria http://palavraria.wordpress.com/, em Porto Alegre. A oficina teve início em abril e, ao que tudo indica, encerrará hoje, dia 02 de setembro de 2010.
  Como idealizador, coordenador e orientador desta aventura que batizei de "Tapeçaria da Memória", tenho o prazer, a honra e a alegria de inaugurar este site apresentando o trabalho desenvolvido e as talentosas autoras que você conhecerá a seguir. Durante os cinco meses de nosso convívio, não tive alunas: encontrei-me semanalmente com  pessoas muito especiais que hoje considero amigas. Foram elas que construíram a oficina. Acredito que minha função foi sobretudo a de provocá-las, instigá-las a compartilhar suas experiências umas com as outras, comigo, e agora com você que me lê e que, certamente, se surpreenderá com a riqueza daquilo que elas têm para contar.
  Nem sei como descrever a satisfação que foi ver a oficina transformada em realidade. No momento em que a concebi, tinha um vaga consciência dos riscos que correria propondo uma atividade tão peculiar. O principal destes riscos, claro, seria o de não haver interessados. Com efeito, a divulgação inicial não atraiu ninguém. Ou melhor, atraiu duas ou três pessoas que, esclarecidas de que teriam que produzir relatos memorialísticos, recuaram. Programada para começar em março, a oficina começou a ser divulgada em janeiro. Fevereiro passou sem que ninguém se inscrevesse. Março parecia ir pelo mesmo caminho. Diante das opções - desistir ou manter as inscrições abertas durante o mês de abril - optei por esperar um pouco mais.
  No final de março, Mauren Veras, jornalista e principal responsável pela divulgação da oficina, conseguiu atrair a atenção de Lucia Mattos, da Band News Fm, que me convocou para uma entrevista. Segundo me contaram as duas corajosas que em seguida se inscreveram, foi esta entrevista que as atraiu. Bendita Lucia Mattos. Bendita Band News. As duas destemidas se chamam Genice e Elza. Foram elas que às 16:30 do dia 1º de abril de 2010, apresentaram-se, absolutamente dispostas a descobrir se valia a pena registrar, via escrita, o que tinham vivido e como isto poderia ser feito.
  Nunca tinha coordenado uma oficina. Sequer tinha participado de uma. E tinha, a partir daquele primeiro de abril, o desafio de mediar a relação entre as memórias de duas pessoas e a escrita. O que me estimulava - e ainda estimula - era a crença de que todo mundo já viveu algo que merece ser registrado e a vontade de compartilhar o conhecimento adquirido como professor de Literatura, estudioso do gênero autobiográfico e escritor bissexto (e inédito) com quem estivesse disposto a encarar o desafio de olhar objetivamente para si mesmo e tecer com palavras um auto-retrato. Desde o início deixei clara a impossibilidade de ser fiel aos fatos, que eles têm menos importância do que a concepção que cada um tem de si e que a tal 'objetividade' do olhar passaria, necessariamente por um filtro subjetivo, aquele mesmo de onde brota a ficção.
  A Genice e Elza juntaram-se, mais tarde, Laura, Beatriz e Elisabeth. A primeira nos acompanhou durante os meses de junho e julho e ainda acredito que voltará a escrever, a segunda nos deu a alegria de sua presença nos dois últimos meses (julho e agosto), e a terceira, por não morar em Porto Alegre, envia-me seus relatos (na peculiar forma de cartas) pela internet e, quando pôde, também esteve presente aos encontros semanais. Submeti todas às minhas elucubrações - compostas, quase sempre, das palavras de filósofos, críticos literários, teóricos, pesquisadores e escritores - sobre o tempo, o espaço (físico e autobiográfico), a memória e a escrita, colocando-as, muitas vezes, em becos sem saída e/ou despertando nelas emoções que talvez não quisessem mais sentir.
  O resultado é o que você lerá a seguir: textos com estilos diversos, concepções e visões de mundo únicas e que trazem em suas linhas a força, a(s) verdade(s) e a variedade que só a intensidade da experiência vivida é capaz de oferecer.
  Genice, Elza, Laura, Beatriz e Elisabeth, jamais conseguirei compor um agradecimento justo por aquilo que vocês me ensinaram. Espero que continuem escrevendo e que eu possa continuar aprendendo com vocês.
  Ao leitor desejo um bom passeio através dos momentos mais importantes destas quatro vidas diferentes, únicas e, consequentemente, absolutamente originais.


Até a próxima!
Fabio Bortolazzo Pinto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário